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NOTA ORIENTATIVA “CARAMUJO” AFRICANO – INFORMAÇÕES SOBRE A ESPÉCIE, MANEJO CORRETO E CONTROLE


Publicado em: 12 de Maio de 2026

Autor: Assessoria

Fonte: Vigilância em Saúde


Data: 12 de Maio de 2026

Autor: Assessoria

Fonte: Vigilância em Saúde


A Prefeitura Municipal de Cáceres, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde/Vigilância Ambiental, traz, através deste, orientações a toda a população cacerense a respeito do “Caramujo Africano”.

Achatina fulica, que é conhecido popularmente em nossa região como caramujo africano, é um molusco gastrópode terrestre, uma espécie exótica e invasora em nosso território, tendo sido introduzido no Brasil, de forma ilegal, na década de 80.

Esse molusco tem como hábito alimentar a ingestão de folhas, flores e frutos (herbívoro generalista), é hermafrodita e altamente resistente, o que permite que se adapte com facilidade a diversos locais do meio urbano, mas apresenta predileção por jardins vegetais, margens de brejos, hortas, pomares, terrenos baldios e quintais com alta concentração de umidade e sombreamento. Por ser parcialmente arborícola, também pode ser encontrado em árvores e muros.

De acordo com a Nota Técnica nº 30/2022-CGZV/DEIDT/SVS/MS, ele pode ser hospedeiro potencial de nematódeos do gênero Angiostrongylus sp., que podem causar parasitismo em humanos (há poucos registros no Brasil), e essa infecção está associada, normalmente, à ingestão acidental do muco do caramujo africano em verduras, legumes e frutas sem higienização adequada.

A densidade populacional desse caracol tende a aumentar durante o período das chuvas. Ele pode realizar de 2 a 5 posturas no ano, variando de 50 a 400 ovos por postura. Embora sua ocorrência seja relativamente comum, é importante que a população adote medidas simples de manejo ambiental e higiene, contribuindo para o controle da espécie, e uma das medidas para redução da densidade populacional desses moluscos é o manejo, controle e descarte adequado dos espécimes encontrados.

A catação manual é a forma mais eficaz para o controle da presença desse gastrópode. Os “caramujos” e os ovos devem ser recolhidos para descarte adequado, pois esse descarte não deve ser feito em lixos comuns sem tratamento prévio. O responsável por realizar a catação deve fazer uso de equipamentos de proteção individual, como luvas e botas de borracha.

Após coletados, os moluscos devem ser esmagados e imersos em uma solução com cloro. Essa solução deve conter 3 partes de água para 1 parte de cloro, e os caramujos e ovos devem ficar imersos nessa solução por 24 horas. Depois desse tempo, podem ser descartados.

Outra opção para o controle populacional seria coletar e esmagar esses gastrópodes com o auxílio de um martelo ou pisoteá-los e enterrá-los em cova/vala revestida de cal virgem. Essa cova/vala deve conter profundidade de 80 cm a 1,5 m e estar longe de lençóis freáticos, cisternas ou poços artesianos.

Além das duas maneiras citadas acima, existe ainda a técnica de incineração, mas essa técnica requer maior cuidado para evitar acidentes. Para realizá-la, é preciso local apropriado, como, por exemplo, um tonel ou lata.

Para não afetar espécies de moluscos da fauna local e evitar um desequilíbrio ecológico, a correta identificação da espécie A. fulica é de suma importância para que o controle seja efetivo (figura 1). É importante se atentar que, ao eliminar os caramujos, é preciso também destruir suas conchas para que elas não sirvam de criadouro do mosquito Aedes aegypti.

O uso de produtos químicos/venenos não é recomendado, pois pode causar impactos ambientais, desequilíbrios ecológicos e impactos à saúde de outros animais e também da população.

Lembramos à população que a principal forma de controle é a prevenção da proliferação, por meio de cuidados com o ambiente, mantendo quintais e terrenos limpos, sem acúmulo de lixo, entulhos ou restos de vegetação; evitando acúmulo de materiais que possam servir de abrigo; armazenando corretamente o lixo doméstico e reduzindo a umidade excessiva em jardins e áreas externas.

Ademais, é necessária ainda uma correta higienização dos alimentos no dia a dia, pois, com o cuidado ambiental e a higienização, é possível minimizar os riscos.

É importante ressaltar que o correto manejo, identificação, controle e descarte do caramujo-africano são cruciais para a manutenção ecológica do ambiente onde há infestação deste molusco, principalmente em períodos de chuvas.

A Vigilância em Saúde do município se coloca à disposição da população para as orientações adicionais que se fizerem necessárias.